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domingo, 17 de setembro de 2017

Carta à Igreja de Esmirna (parte II)



No segundo século nasceu várias seitas e heresias, principalmente de gregos místicos, os quais desenvolveram rapidamente na igreja. Eis alguns:
Gnosticismo: surgiu na Ásia Menor, foco de ideias fantásticas; era o enxerto do Cristianismo ao paganismo. Eles acreditavam num Deus Supremo que emanava um grande número de divindades inferiores, algumas benéficas e outras malignas. Criam que por meio dessas divindades, o mundo foi criado com a mistura do bem e do mal, e que em Jesus Cristo, como uma dessas “emanações”, a natureza divina morou durante algum tempo. Os gnósticos interpretavam as Escrituras de forma alegórica, de modo que cada interpretação significava aquilo que ao intérprete parecesse mais acertado. Eles progrediram durante todo o segundo século, cessando suas atividades com o término do século.
Ebionitas: palavra grega para pobre; eram judeus- cristãos que insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitaram as cartas de Paulo, porque nessas epístolas ele reconhecia os gentios convertidos como cristãos. Os ebionitas eram considerados apóstatas pelos judeus não- cristãos, mas também não contavam com a simpatia dos cristãos – gentios. Depois do ano 70 d.C., se constituíram maioria na igreja; diminuindo gradualmente no segundo século.
Maniqueus: eram de origem persa e se chamavam assim por causa do seu fundador Mani, no qual foi morto em 276, por ordem do governo Persa. O ensino dos maniqueus dava a seguinte ênfase: O universo era composto do reino das trevas e reino da luz; ambos lutam pelo domínio da natureza humana. Eles recusavam Jesus, porém acreditavam em um “Cristo celestial”. Eram ascetas e renunciavam ao casamento. Os maniqueus foram perseguidos tanto por imperadores pagãos quanto pelos cristãos. Agostinho, o maior teólogo da igreja, antes de se converter, era maniqueu.
Montanistas: eram assim chamados por causa do seu fundador Montano. Quase nãosão incluídos como hereges, apesar dos seus ensinos serem condenados pela igreja. Os montanistas eram puritanos e exigiam que tudo voltasse à simplicidade dos primitivos cristãos. Eles criam no sacerdócio de todos os verdadeiros crentes, e não nos cargos ministeriais. Observavam a rígida disciplina da igreja e consideravam os dons um privilégio dos discípulos. Um dos pais da Igreja, Tertuliano, aceitou as ideias dos montanistas e escreveu em favor deles.
Dez dias (anos ou tempos) (Daniel 11:13).
Anos 100 a 312 Depois de Cristo
O diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós (10): O diabo é visto como a fonte da perseguição. Alguns seriam presos, provavelmente aguardando julgamento e possível morte.
Para seres postos à prova, e tereis tribulação de dez dias (10): O efeito da tribulação seria o de provar a fé desses cristãos. A sua lealdade a Cristo seria testada sob ameaças de morte. Mas a perseguição não continuaria para sempre. Dez dias sugere um tempo curto, mas completo. Seria uma provação completa, mas teria um fim.
Dez dias (dez imperadores)
Nero (54- 68 d.C.);
Domiciano (81-96 d.C). Este imperador se considerava um deus e perseguiu os cristãos durante 10 anos, especialmente por os cristãos de Esmirna por sua entrega e desapego aos bens materiais. E mesmo tendo seus bens confiscados pelo império romano, eles continuavam fiéis a Jesus Cristo.
Trajano (98 a 117 d.C);
 Marco Aurélio (161-180 d.C);
Severo (193- 211 d.C);
Maximino (235-238 d.C);
Décio (249 a 251 d.C);
Valeriano (253- 260 d.C);
Aureliano (270- 275 d.C);
Diocleciano (284- 305 d. C). Fez uma perseguição de dez anos contra os cristãos.
Sê fiel até à morte (10): O fim desta perseguição, para alguns, poderia ser a própria morte. Mesmo assim, deveriam ser fiéis. Às vezes, arrumamos qualquer desculpa para não fazer algo que Deus pede. Mas nada, nem a nossa própria vida, deve ser mais importante do que a nossa fidelidade a Deus.
Um dos efeitos produzidos pelas provações por que passaram os cristãos desse período, foi uma igreja purificada. As perseguições conservavam afastados todos aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à igreja para obter lucros ou popularidade; os fracos de coração abandonavam a igreja. Somente aqueles que estavam dispostos a ser fiéis até à morte, se tornavam publicamente seguidores de Cristo.  A perseguição da igreja separou o joio do trigo.
A igreja era unificada numa mesma fé e no ensino da Palavra; a ponto das seitas hereges  pouco a pouco irem desaparecendo.
E dar-te-ei a coroa da vida (10): A palavra “coroa” (grego, stephanos) refere-se à coroa de vitória. A coroa da vida vem de Deus, o único que pode dar a vida (veja João 5:26; 14:6; 1 João 1:1-2). Aqueles que amam a vinda de Jesus receberão a coroa da justiça (2 Timóteo 4:8).
De acordo com o Livro: História da Igreja Cristã, do autor Jesse Lyman HurlBut,  Simão ou Simeão (Marcos 6:3), foi sucessor do apóstolo Tiago; ambos eram irmãos de Jesus. Por ordem do imperador  Trajano, Simeão foi crucificado com a idade de  120 anos.
Bispo Inácio da Antioquia foi lançado às feras e escreveu cartas às igrejas manifestando o desejo de morrer por Cristo. 
 Policarpo, que foi ordenado pelo próprio apóstolo João, foi queimado vivo e não negou a Cristo. Eis a declaração de Policarpo: “Por oitenta e seis anos eu O servi e Ele nunca me fez mal. Como posso blasfemar de meu Rei, o qual me salvou?”.
 Justino Mártir era filósofo antes de se converter, e continuou ensinando depois de aceitar a Cristo. Era um dos homens mais competentes do seu tempo e um dos principais defensores da fé; foi martirizado em Roma em 166 d.C.
O imperador Séptímio Severo tentou em vão restaurar religiões decadentes do passado. Fez uma rigorosa perseguição contra os cristãos. Este imperador era tão cruel que foi considerado pelos cristãos como o anticristo. Foram martirizados Leônidas, pai do grande teólogo Orígenes em Alexandria, Perpétua, nobre mulher de Cartago e Felicitas, sua fiel escrava. Leônidas foi decapitado; Perpétua e Felicitas foram despedaçadas pelas feras no ano 203 d.C.
No tempo do Imperador Valeriano (257 d.C), o bispo Cipriano de Cartago, um dos maiores escritores e dirigentes da igreja desse período foi morto, bem como o bispo romano Sexto.
No reinado do imperador Diocleciano foram queimados exemplares da Bíblia e destruídos todos os templos. Ele exigiu que todos os cristãos renunciassem a fé, ou perderiam a proteção do império e a cidadania romana. Vale salientar que cidadão romano não poderia ser crucificado. Muitos foram trancados nos templos e queimados vivos. Consta que o imperador erigiu um monumento com esta inscrição: “Em honra ao extermínio da superstição cristã.”.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas (11): Como em todas as cartas às igrejas, Jesus chama os destinatários a ouvirem a sua mensagem.
No terceiro Século depois de Cristo que foi formado o Cânon Bíblico do Novo Testamento. E apareceram escolas teológicas, são elas: Alexandria, Ásia Menor e Norte da África.
Com o aparecimento de seitas e heresias, houve a necessidade de nomear bispos dirigentes.
O vencedor (11): Aqueles que permanecem fiéis diante das perseguições são vencedores com Cristo.
De nenhum modo sofrerá dano da segunda morte (11): Não sofreria o castigo eterno (20:6,14; 21:8). Os perseguidores poderiam até causar a primeira morte, mas os fiéis não sofrerão a segunda morte (veja Mateus 10:28).
Morar em Esmirna no primeiro século não seria fácil para o discípulo de Jesus. Além das perseguições pelos judeus, eles enfrentavam uma ameaça mais organizada e mais poderosa. A idolatria oficial, juntando a religião à força do governo, prometia uma perseguição perigosa aos cristãos da cidade, tentando-os a abandonarem a sua fé para melhorar as suas circunstâncias ou até para evitar a morte violenta. Para vencer esta tentação, teriam que acreditar no poder daquele que já venceu a morte. Mesmo se morressem, as suas vidas eternas seriam garantidas somente se mantivessem sua confiança no eterno Senhor, “o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”.
Na história da Igreja, Esmirna representou a Era dos Mártires do ano 100 ao ano 312 d.C.
O leitor deve observar o contraste que existia entre o “anjo” (pastor) da igreja de Esmirna, e o da igreja de Laodicéia (3.17). Cumpre-se aqui, portanto, um provérbio oriental que diz: “Aos olhos de Deus, existem homens ricos que são pobres e homens pobres que são ricos’. O sábio Salomão declara em Pv 13.7: “Há quem se faça rico (o pastor de Laodicéia), não tendo coisa nenhuma, e quem se faça pobre (o pastor de Esmirna), tendo grande riqueza”. O Dr. Champrin observa quem aqueles crentes (de Esmirna) eram pobres, mas não porque não trabalhassem – sendo essa a causa mais comum da pobreza de modo geral, mas devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades e bens foram confiscados pelo poderio romano, e além de tudo esses servos de Deus, ainda sofriam encarceramento. Porém, está, declarado no presente texto, que eles eram ricos. Em que? Nas riquezas espirituais. Eles eram de fato ricos: nas obras, na fé, na oração, no amor não fingido, na leitura da Palavra de Deus, (à maneira de seus dias). Estas coisas diante de Deus: São as riquezas da alma! (Mt 6.20; 1Tm 6.17-19).

 Que Jesus vos abençoe!
Pr. Weliton Santos.

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